Já ouvi muita gente dizer que tem medo da solidão. Por que será que a solidão assusta?
Aqueles que se queixam da solidão, discordam de quem diz que a solidão é benéfica.
Portanto, se alguns se queixam da solidão, outros simplesmente adoram viver sozinhos...
Será que dá pra entender? Por mais paradoxal que pareça, é assim mesmo.
Bem que tentei, e para tanto, tentei analisar o que representa o "estar só", tendo chegado a conclusões interessantes, que valem a pena ser analisadas.
Inicialmente, temos um conceito muito interessante de Erich Fromm (filósofo alemão), que diz:
A capacidade de estar a sós, paradoxalmente, é a condição para se amar.
Tal assertiva, encerra uma enorme verdade, pois para que alguém possa conseguir viver só, tem que se amar, e tem que se amar muito. É preciso que se ame, para que consiga tolerar sua companhia. Afinal, serão 24 horas por dia lado a lado... se não houver um amor bem profundo, será uma convivência desagradável.
Amando-se, tem condições de suportar a solidão, pois está na melhor companhia possível, que é a própria.
Há que se notar, contudo, que todos nós sempre estamos na melhor de todas as companhias possíveis, ou por acaso alguém conhece uma companhia melhor do que a do nosso Amigão...
Sabendo desfrutar dessa “presença amiga”, jamais estaremos totalmente a sós.
Na realidade, a solidão é um estado de espírito. Quantas vezes em meio a um monte de gente, nos sentimos inteiramente sós. Por exemplo, numa festa onde não encontramos pessoas "afínicas", sentimo-nos deslocados. Sentimo-nos sós, com muitos à nossa volta. Num caso desses, de que vale a presença de gente? Se são pessoas que nada a ver conosco. Vem aquela célebre sensação “que estou fazendo aqui?”
Muitos argumentam que precisam sentir presença humana ao lado. Seja quem for, querem ter gente por perto, reforçando assim, a tese de que solidão é um estado d'alma. Querer alguém ao lado, mesmo que não se goste... é traumático.
Pode-se considerar mais interessante a companhia de um bom livro, de uma boa música, de um computador funcionando, do que de uma pessoa desinteressante, cuja conversa não é agradável, cuja presença não é "afínica", enfim.
Concordo plenamente que é importante termos alguém com quem compartilhar nosso espaço, nossas idéias, pois não temos vocação para eremitas (só os ermitões). Contudo, não pode e nem deve ser simplesmente uma "presença", deve ser uma presença que nos agrade, que nos traga algum prazer. Caso contrário, é melhor ficar só. Não sei se vocês conhecem, um provérbio novo que diz: Antes só do que mal acompanhado. (dizia a gazela para a leoa...).
Quando a solidão for irremediável, procurem exercitar o auto-amor... é a melhor maneira que conheço de vivê-la. Não se lamentem por estar só. Aproveitem para fazer coisas que não poderiam fazer se tivessem alguém ao seu lado. Vejam as coisas por um prisma mais colorido. Por exemplo, se quiser ir a um cinema, é só sair e pronto...não precisa saber se mais alguém quer ir ao cinema também. É a sua vontade que impera. Não é uma vantagem, o poder fazer o que lhe der na telha?
Se o problema é a falta de um papo, além de Internet existem muitos locais onde pode se encontrar papos descompromissados. Não chega a ser imprescindível alguém morando junto, só para ter uma companhia. Claro, se encontrar um "alguém" que preencha a solidão e os requisitos, e que possa ser "aquela" companhia, vale a pena encarar a encrenca, sim...