AMOR VIRTUAL - I
Marcial Salaverry






Até algum tempo atrás, para alguém sentir atração por outra pessoa, tinha que haver o contato físico. As pessoas precisavam se conhecer, se ver, se tocar, para sentir que se gostavam. E nem sempre assim conseguíamos chegar a conclusões definitivas, pois sempre faltava alguma coisa, para que fosse possível ter certeza dos reais sentimentos. Bem, havia a paquera telefônica. Mas apenas servia como uma ponte para que houvesse o conhecimento. Conversas telefônicas, mesmo aqueles longos bate-papos que mantínhamos em nosso tempo, só serviam de preâmbulo para o conhecimento definitivo. Eram só conversas superficiais. E ainda tinha outro problema. Só serviam para namoros locais...pois a longa distância, era muito caro. Então era normal que se procurasse logo o conhecimento físico, para ver “se a coisa batia bem”. De repente, não mais que repente, surgiu a Internet, trazendo possibilidades mil para os corações solitários, e também para outros nem tanto. A facilidade de comunicação, e o custo relativamente baixo, possibilita longas conversas emaillisticas. Isso sem falar nos famosos chat's e icq's, que substituem a archaica conversa telephonica de meus velhos tempos. Quantas saudades... (não do telephone, mas dos velhos tempos...).

O interessante é que através da Internet as pessoas se comunicam com muito mais liberdade do que pessoalmente. Com essa comunicação, podemos conhecer as idéias, a maneira de pensar de muitas pessoas. Através da telinha, fazem-se mais confidências, pois as pessoas abrem o coração, principalmente quando sentem que o interlocutor merece confiança, que é uma pessoa que as "escuta" com atenção e que jamais fará pouco de seus sentimentos.

Afinidades são descobertas...As pessoas sentem um sentimento muito especial, chamado Amizade. Esse é o lado bom da coisa, possibilita a descoberta de muitas pessoas que podemos chamar de amigos, pelo menos virtualmente. E a amizade independe de uma atração física. Há que se sentir a “afinidade anímica”.

Forçosamente o sentimento de amizade pode tomar outros rumos. Achamos que a pessoa com quem dialogamos durante algum tempo começa a ser especial, e pode surgir até mesmo uma espécie de atração.

Afinal, trocamos tantas confidências... batemos longos papos... Será que esse sentimento pode ser chamado de amor? Será que podemos amar uma pessoa que só conhecemos virtualmente?

Acho que, de verdade, sentimos sim, uma amizade mais forte... que nosso interlocutor é uma pessoa especial, que merece todo nosso carinho. Esse sentimento forte muitas vezes é confundido com amor. Não deixa de ser amor. Mas é um amor, digamos, etéreo, sonhador. É um sentimento muito gostoso, porque não existe o contato físico. Não tem como haver algum sentimento de rejeição, pois o papo "internético" é gostoso, de bom nível. Não nos assalta aquela dúvida: Será que ele vai gostar de mim? Tanto é que muitas vezes os romances se esvaem ante o contato físico.

Ocorre muitas vezes que o conhecimento físico até reafirma a empatia virtual, quando surge o que pode mesmo ser chamado de amor. Um amor feito da realidade do conhecimento virtual.

Muitas vezes, o contato físico é protelado, justamente pelo temor de uma possível rejeição física. Acontece que a “impressão virtual”, geralmente faz com que as pessoas que sempre sentiram uma grande afinidade virtual, acabem transportando esse gostoso sentimento, seja de amizade, seja de amor, para o conhecimento físico. Nesses casos, um amor virtual pode se transformar num amor real. Se será ou não vivido com a intensidade esperada, depende de uma série de circunstâncias. Quais? Bem... Aguardemos.

Nessa expectativa, desejo que todos tenham UM LINDO DIA.