
REALIDADE VIRTUAL
Cláudia Villela de Andrade
O que sou para você?
Sou apenas versos e
tenho muitas prosas.
Sou a palavra escrita na
tela do computador.
Não me olha, não me
toca, não me vê.
Só me lê.
Só me aplaude.
Não revelo
meu segredo.
Não ficamos juntos
vendo o mar.
O telefone mal toca
vez ou outra.
Quando toca...é
sempre profissional,
é só, olá, como vai?...
até logo.
Ouço sua voz e a
distância compactua
com os fios, compasso
armado do progresso.
No telefone a timidez
nos alcança justamente
por conhecermos melhor
nossas letras que
nossas vozes.
O Windows nos anuncia
com mais frequencia
seu e-mail chegou...
mudou de fonte...
mudou a cor,
fico feliz...
e a palavra escrita
continua ser linear.
O que sou...
quem é você?
Queria ficar perto,
tomar vinho,
ouvir som,
jogar baralho.
Vejo sua foto,
será mesmo você?
Imagino seu dia, não...
você nem sabe do meu
...nem perguntou.
Num porta-retrato posso
ver sua imagem, mas...
diriam os mais sábios :
enlouqueceu.
Você nem me conhece, nem
me toca, nem convive.
Sabe um nome, um nick,
e...nada mais.
Eu me pergunto,
que amizade é essa?
Existirá uma amizade assim?
Poderemos fazer disso uma
realidade consistente?
Já andei me estrepando por aí...
e você, se pergunta isso também?
Sentimos a mesma coisa?
Nem disso falamos,
nunca falamos
...só escrevemos.
Dizer, vamos sair,
seria trocar de chat,
trocar de lista?
Vamos continuar a ser
prosa e verso nessa rede
sem início nem fim?
Tem que ser assim?
E quando nos desentendemos...
nos deletamos simplesmente?
Será???

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